Construímos um evento com posicionamento forte, onde experiência e branding caminham juntos
Por Sandra M. Pinto
O universo Land Rover volta a ganhar destaque com a realização da 15.ª edição do Encontro Ibérico Land Rover, um evento que ultrapassa largamente o conceito de concentração automóvel para se afirmar como uma verdadeira celebração de comunidade, aventura e lifestyle.
Em entrevista à Marketeer, Luís Jerónimo, presidente do LandMania Clube de Portugal, fala sobre a evolução do evento, o impacto crescente junto de participantes e marcas, e a forma como esta iniciativa se tornou uma referência no panorama europeu do cicloturismo e do turismo experiencial.
O Encontro Ibérico Land Rover chega à sua 15.ª edição. Que evolução destacaria ao longo destes anos e que papel tem hoje este evento na comunidade Land Rover?
O Encontro Ibérico de Land Rover nasceu da paixão pura pelo TT e pelo convívio, mas evoluiu para se tornar na maior celebração da cultura Land Rover na Europa Continental e uma das maiores a nível mundial. Passámos de um encontro de entusiastas para um grande festival multifacetado. Hoje, o evento é o ponto de encontro bienal obrigatório: é onde a comunidade renova laços, onde se cruzam gerações e onde se vive o espírito da marca em pleno. É o momento em que a paixão ganha dimensão de pertença a uma grande família.
Com quase 2500 participantes e 908 viaturas inscritas, o evento demonstra uma forte capacidade mobilizadora. A que atribui este crescimento consistente?
Com números que continuam a crescer todos os dias! Neste momento já contamos com 2742 participantes (2.222 adultos e 520 crianças) e o último Land Rover inscrito tem a sequência N 1.046. Este crescimento só é possível com a autenticidade e foco constante na experiência do participante. Não vendemos apenas um acesso a um recinto ou a uma pista 4×4; oferecemos memórias, experiências, convívio e um sentimento real de pertença. O crescimento é orgânico porque quem vem uma vez, regressa na seguinte edição e traz a família e os amigos. Além disso, a capacidade do LandMania Clube de Portugal se reinventar a cada edição, trazendo inovações no recinto, entretenimento de qualidade e novas dinâmicas, mantém o evento vivo, apetecível e altamente relevante.
O regresso a Viana do Castelo reforça a ligação do evento ao território. Que fatores tornam este destino estratégico para a iniciativa?
Viana do Castelo oferece uma combinação imbatível: paisagens deslumbrantes entre o mar e a montanha, uma hospitalidade ímpar, excelente gastronomia e acessibilidades excecionais tanto para portugueses como para os milhares de espanhóis que cruzam a fronteira. Realizar o evento no areal da Praia do Cabedelo dá-nos uma moldura cénica épica e única no mundo. Temos no parque de Campisno da Inatel com 26 hectares que o torna o nossa parceiro ideal para levantar um evento desta envergadura. É um território que respira aventura e cultura, encaixando na perfeição no ADN da Land Rover.
Que impacto concreto tem o Encontro Ibérico Land Rover na economia local, nomeadamente ao nível do turismo, restauração e comércio?
O impacto é massivo e direto. Falamos de mais de 3.000 pessoas que esgotam a capacidade hoteleira e o alojamento local da região e arredores durante vários dias, enchem os restaurantes locais, abastecem nos postos de combustível e consomem no comércio tradicional. Além disso, há o impacto indireto e o valor de promoção territorial: muitos participantes descobrem Viana do Castelo durante o Ibérico e regressam mais tarde em férias com as suas famílias.
A parceria com a Câmara Municipal de Viana do Castelo tem sido recorrente. Que importância têm estas colaborações institucionais para o sucesso e escala do evento?
São absolutamente vitais. Um evento com esta escala, que mobiliza mais de mil e duzentos veículos Land Rover, exige uma logística complexa, articulação de segurança, licenças e gestão de espaço público. O apoio visionário da Câmara Municipal de Viana do Castelo e das entidades locais permite-nos erguer uma infraestrutura de nível profissional com total segurança, mostrando como o poder local e os clubes associativos podem criar valor real para a região.
O evento é descrito como mais do que uma concentração automóvel, assumindo-se como um ponto de encontro de gerações. Como se constrói esta dimensão de comunidade?
Constrói-se desenhando o evento para as pessoas e não apenas para os carros. Os dados deste ano mostram isso claramente: temos mais de 500 crianças inscritas. As famílias vêm juntas, passam o testemunho dos pais para os filhos e avós. Criamos espaços onde um proprietário de um Série 1 de 1948 conversa na mesma mesa com o condutor de um Defender de última geração. O veículo é o pretexto; a amizade e a partilha de histórias são o verdadeiro motor.
A “Aldeia do Ibérico” surge como um dos espaços centrais. Que papel desempenha na experiência global dos participantes? 
A Aldeia do Ibérico é o coração batente do evento. É o centro nevrálgico onde tudo acontece: a zona comercial com expositores do setor, a restauração, a loja do clube, a animação de rua, os workshops e os momentos de convívio informal. É o espaço onde os participantes relaxam entre as atividades off-road e onde se sente a verdadeira energia do clube.
A programação inclui atividades off-road, concertos, workshops e momentos de lazer. Como é desenhado este equilíbrio entre aventura e entretenimento?
O segredo está em garantir que há sempre algo a acontecer para todos os perfis de visitante. Enquanto uns estão a testar a adrenalina nas pistas de obstáculos ou na areia, outros estão a aproveitar os workshops, a visitar a feira de expositores a usufruir da praia ou a fazer uma degustação no bar Drappier. À medida que o dia avança, o foco transita da aventura técnica para o entretenimento social, culminando nas paradas, nos sunsets e nas grandes noites de concerto na Área VIP.
O universo Land Rover está fortemente associado a valores como exploração, liberdade e autenticidade.
Como são traduzidos estes atributos no evento?
Traduzem-se no ambiente de camaradagem e no respeito pela natureza e pelo território. A liberdade sente-se no espírito de “desconectar” da rotina diária; a exploração está presente nas rotas e nos desafios propostos; e a autenticidade reflete-se na forma como a organização e os voluntários recebem cada sócio, sem preconceitos, com o sorriso no rosto e o espírito de entreajuda que caracteriza quem anda no todo-o-terreno.
Que perfil de participante procuram atrair e como têm evoluído os públicos ao longo das diferentes edições?
Procuramos abranger todo o espetro da paixão Land Rover. Historicamente, tínhamos um público mais focado no overland e no TT puro e duro. Hoje, assistimos a uma enorme democratização e rejuvenescimento: temos jovens casais, famílias completas, entusiastas do restauro de clássicos e proprietários de novos modelos urbanos. O Ibérico tornou-se num festival transversamente familiar e multigeracional.
A presença de marcas, expositores e parceiros é uma componente relevante. Que oportunidades oferece o evento para ativações de marca?
Oferece um público altamente qualificado, apaixonado e com enorme taxa de conversão. Não é apenas visibilidade de marca; é contacto direto e experiencial com milhares de consumidores finais. As marcas têm oportunidade de demonstrar produtos em contexto real — desde acessórios 4×4 e campismo a vestuário e tecnologia — num ambiente descontraído onde as pessoas estão recetivas e motivadas para interagir.

A inclusão de momentos como sunsets e animação cultural aproxima o evento de um conceito mais lifestyle. Esta é uma estratégia deliberada?
Total mente deliberada. A cultura automóvel moderna cruza-se intimamente com o lifestyle, a música, a fotografia e as viagens. Ao introduzirmos paradas festivas, performances circenses, djs e sunsets na praia, transformamos o Encontro Ibérico num festival completo de verão. Queremos que a experiência seja memorável tanto para quem passa o dia a conduzir na lama como para quem quer apenas desfrutar de uma boa tarde de música junto ao mar.
Num contexto em que os eventos experiencialmente ricos ganham destaque, como garantem que o EILR se mantém relevante e diferenciador?
Garantimo-lo apostando na inovação constante e em surpresas para os participantes. Nesta 15.ª edição, por exemplo, estamos a introduzir tecnologia de Realidade Aumentada no merchandising oficial, o Muddy, que é a nossa nova mascote, reformulámos toda a produção dos concertos, criámos paradas diárias de integração e reforçámos o cartaz cultural na aldeia. Mantemos a essência clássica do clube, mas trazendo tendências de entretenimento modernas e disruptivas.
Que ambições existem para o futuro do Encontro Ibérico Land Rover, tanto em termos de escala como de posicionamento na Península Ibérica?
A nossa ambição não é apenas crescer em número de carros, mas sim consolidar o Ibérico como o festival de cultura outdoor e overland de referência na Europa. Queremos continuar a estreitar os laços transfronteiriços entre Portugal e Espanha (honrando o nosso lema “Juntos Sem Fronteiras”) e afirmar este evento como um caso de estudo de como o associativismo apaixonado e voluntário pode criar uma marca e um evento com padrões intercontinentais de excelência.
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