Foi também na zona ribeirinha da Margem Sul do Tejo, mas no meu caso na zona de Alhos Vedros, onde existe uma sucata de desmantelamento de navios e por curiosidade resolvi ir lá ver o navio que segundo eu sei foi confiscado por relação com trafico de droga, e andei com a minha moto4, eu e um amigo À boleia por toda a zona ribeirinha, aquilo é tudo charcos, "piscinas" de extracção de sal, e é uma zona muito sujeita às alterações de marés.
Aqui o parvo lá porque tinha um amigo à boleia, resolve mostrar ao amigo que a minha mota até em paredes sobe, e "que nunca fica atascada"
Bem, este acto de gabarolice com o meu amigo custou-nos bué, pois lá resolvi entrar na zona marginal e atasquei a sério, mesmo a sério a ver a mota enterrar no lodo rapidamente e a inclinar para um dos lados (tava a ver que virava) tivemos que saltar de cima da mota e enterramos até as coxas, até pra sairmos nós foi complicado, perdi um sapato de vela para sempre...
E depois foram horas de agonia, a tentar tudo por tudo para tirar a mota, anoiteceu e a maré começou a subir, púnhamos pedras e paus e nada adiantava até que resolvemos mesmo escavar por debaixo da mota a séria, com uns pedaços de tábuas que arranjamos no estaleiro, e ao ponto de estarmos deitados no lodo pois era a única forma de não nos enterrarmos também, e lá com muito esforço e depois de ter feito um enorme buraco por baixo e À volta da mota, e que já estava a encher de água da maré que subia, lá na hora do desespero que eu pensava que já não havia mais nada a fazer, com as mudanças em baixas, com a tracção nas 4, sem subir na mota pus-se ao lado da mesma, um pouquinho adiantado para a eventualidade da mota conseguir sair do buraco, e dei aquela gazada de uma vez só...
Ufaaa, a mota trepou a borda do buraco e parou un metro ou dois mais a frente ao relanti, eu atirei-me ao lodo para me desatascar a mim mesmo e voltar a acelerar a mota para sair da zona de perigo (foi neste momento que perdi o sapato) e lá consegui sair com a mota até ao caminho de terra batida.
Bem meus amigos, já era noite e enquanto eu e o meu amigo recompúnhamos o fôlego e tirávamos algum do lodo do corpo para montar na mota directo ao elefante azul, assisti a maré cobrir completamente a zona onde estava a mota e o meu sapato, foi em coisa de 20 minutos talvez...
Foi um pincel para livrar a mota de tanto lodo fedorento, havia lodo em todo lado e ainda voltei no dia seguinte para voltar a lavar a mota com a luz do dia, tive que subir com duas rodas da mota em uns bobines de cabo que arranjei no terreno ao lado e por a mota de lado para conseguir ter acesso ao lodo todo, gastei 33 moedas no elefante, nunca tinha gastado mais do que 11 fichas mesmo a lavar o jipe após passeios, até nós mesmo ficamos com aquele cheiro a lodo podre nos dias seguintes, aquilo entranha na pele.
Foi uma experiência para nunca mais esquecer, não tive consequências tão graves quanto este defender, mas foi assustador na mesma, e foi por muito pouco que safei a minha mota.
Não brinquem em zonas marginais, nunca arrisquem, e sobretudo se andarem à margem do tejo, tenham muita atenção pois a maré avança várias dezenas de metros em terrenos baixos, e aquilo que parece areia seca, tem uma piscina de lama podre por debaixo, ficam logo atascados e se for com algo pesado a coisa corre mal como aconteceu com este senhor.
Abcs



